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Hábitos orais na Primeira Infância

"O meu filho tem 5 anos e só dorme descansado depois de beber o leitinho pelo biberão", "Não consigo que ele deixe a chupeta!", "O meu filho rói os lápis todos".

Frases como estas são cada vez mais comuns no diálogo dos pais, educadores e todos os envolvidos na educação e desenvolvimento das crianças. Mas afinal estes hábitos orais devem constituir um motivo de preocupação ou são normais no crescimento das crianças? Vamos debruçar-nos mais em detalhe o tema.

Os hábitos orais são padrões repetitivos de contração muscular dos lábios, língua e bochechas adquiridos pelo recém-nascido e essenciais para um desenvolvimento craniofacial harmonioso, como é o caso da amamentação.


No entanto, existem hábitos orais que se tornam nocivos, consoante o período de tempo (meses ou anos), da intensidade (força utilizada) e frequência (quantas vezes por dia a criança pratica o hábito), para além da idade recomendada, tais como:


  • Chuchar o dedo;

  • Chuchar na chupeta;

  • Chuchar o lábio;

  • Chuchar objetos;

  • Uso prolongado de biberão;

  • Apoiar a mão no queixo;

  • Bruxismo (ranger os dentes);

  • Onicofagia (roer as unhas).


Quais são as implicações que os hábitos orais nocivos podem provocar na criança?


  • · Maloclusões dentárias (mordida aberta, na imagem abaixo, ou mordida cruzada);


  • · Alterações na fala (“sopinha de massa” (sigmatismo);

  • · Alterações na respiração (respiração oral);


  • · Alterações na deglutição (deglutição atípica – postura inadequada da língua);



  • Alterações da musculatura da cavidade oral e da face (bochechas, lábios, língua).


De forma a evitar estas consequências, é recomendada a retirada da chupeta aos 2 anos e do biberão aos 18 meses.


Existem algumas estratégias para promover a retirada de alguns hábitos orais:


1. Fale com a criança calmamente, explicando-lhe que está a ficar crescida;

2. Conte histórias elucidativas do uso da chupeta/biberão;

3. Mostre imagens que demonstrem alterações dentárias provocadas pela chupeta;

4. Utilize épocas festivas, como o Natal, para negociar com a criança a troca da chupeta/biberão por uma recompensa;

5. Faça uns furos na chupeta/biberão, para que o ato de chuchar deixe de ser prazeroso;

6. Ofereça uma caneca com um desenho animado que a criança goste, e substitua aos poucos o biberão;

7. Ofereça um mordedor à criança, em substituição da chupeta ou para evitar que chuche no dedo/ lábio;

8. Se é educadora de infância, crie uma área especial na sala onde as crianças possam colocar as chupetas e os biberões. Estas são apenas algumas das estratégias, que podem ou não funcionar dependendo dos hábitos da criança. Caso não sejam suficientes ou verifique alguma alteração nas estruturas da cavidade oral, recomendamos que peça a opinião de um profissional de saúde, mais especificamente de um Terapeuta da Fala ou de um Pediatra. A prevenção é a melhor estratégia. Rafaela Neves, Terapeuta da Fala

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